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Poesia: Negro do Pantoreio
 

Negrinho do pastoreio!
Aqui em nome de Deus
e dos tauras do Rio Grande,
venho pedir-te rodeio.

Ressurjo da sepultura
a destilar a amargura
que não é do chimarrão...
É o amargo da descrença
na cuia da indiferença
com a erva da ingratidão.

Com tapejara cautela,
dos pingos de tua vela
eu rastreio, despacito,
gotas de luz misturadas
com lágrimas derramadas
em teu calvário, negrito!

Invoco a tu'alma
- oh, mártir da prepotência!
porque de novo a querência
mais uma vez se avassala...
E com redobrado afinco
reprisemos trinta e cinco
num desfio à sezala!

Monta teu baio de empelo;
hoje serás o sinuelo
desta larga camperada,
reportaremos ao vento
os ecos de um juramento
pelo amor a este rincão.
"Arrancar a tradição
da cova do esquecomento".

Leva tu'alma andarilha
no rastro que vou te dar...
Rumbeia teu galopear
a velha ponte da Azenha
e ao chegar grites a senha:
"Salve vinte de Setembro"!
E verás que a teu costado,
quais tauras ressuscitados
pelos toques de um clarim,
surgiram guapos caudilhos
e à testa, dois coronilhos,
Onofre e Gomes Jardim.

Campeia no litoral,
por sobre a grimpa das ondas,
a liberdade das rondas,
que no atlântico portal
jamais ecoaram debalde,
e hás de sentir ilusões
de que ainda vês os lanchões
de Giuseppe Garibaldi!

Em Ponche verde te espera
nesta cívica tapera
o Canabarro imortal...
Segue, no teu mesmo trajeto,
e encontrarás Souza Netto
de prontidão em Seival.

Vem Negrinho! Aqui te aguardo
com os heróis de Rio Pardo,
e da imortal Piratini
- a República estupenda
que hoje repousa na lenda
deste rincão guarani.

E no final deste rodeio
de proporção gigantesca,
a plêiade quixotesca
dos heróis quase esquecidos,
há de gritar aos ouvidos
deste povo indiferente
que embaixo da cinza quente
da passiva mansidão,
vive em cada coração
deste Rio Grande caudilho,
o braseiro de espinilho
do cerne da tradição.

E chasqueará novamente,
além da nossa fronteira,
a imagem desta bandeira
que aos mastros foi renegada.
Mas que em épocas passadas,
em defesa do Rio Grande,
subiu mais alto que os Andes
na ponta da lança nua.

E esses netos de charruas,
que andam de fronte erguida,
hão de mostrar para vida
que o Rio Grande não morreu.
Que, quando Deus escolheu
para guerra Farroupilha
o cenário da coxilha,
já tinha premeditado
que deste povo era o fado
lutar pela liberdade,
pela vida em igualdade,
pelo bem e contra o mal.

E no lombo de um bagual,
esfarrapado e sem luxo,
perpetuou o gaúcho
como farrapo imortal.

Agora vai meu Negrinho...
dá um alce pra tordilha.
Deus te guarde... Deus te salve!
Se em meio a tua trilha
te perguntarem meu nome,
sou p primeiro farroupilha,
meu nome é Bento Gonçalves!


Autor: Glaucus Saraiva

 
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